VOCÊ FARIA UMA PROVA DE UM PROFESSOR QUE NUNCA FOI DAR AULA?
Imagine um professor que nunca deu uma única aula. Nunca indicou uma leitura, não propôs nenhum debate em sala, e nem sequer mandou um e-mail. Imagine então, que esse mesmo professor marque uma prova com TODO o conteúdo da unidade e sorteasse apenas algumas pessoas pra fazê-la. Você faria essa prova?
ENTÃO POR QUE FAZER O ENADE?
O ENADE (Exame Nacional de Avaliação do Desempenho Estudantil) é parte do SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior), cuja proposta DEVERIA ser de avaliar o ensino superior para assim trazer melhorias aos cursos e às universidades. DEVERIA!!
Um sistema de avaliação que é baseada no rendimento de estudantes sorteados do primeiro e ultimo período, refletem a situação do curso? Um “exame” que tem um caráter RANQUEADOR e PUNITIVO, onde ao invés de investir mais nas universidades com notas menores, ele é usado para legitimar as desigualdades de verbas entre as diferentes instituições. Um “exame” que não respeita as especificidades e a regionalidade, onde uma mesma prova é aplicada no país inteiro, negligenciando suas particularidades culturais.
Você que é veterano ou mesmo calouro, Quantas vezes o MEC veio na sua Universidade perguntar o que precisa no seu curso?
Uma AVALIAÇÃO DE VERDADE não deveria avaliar apenas o desempenho individual dos estudantes. Uma avaliação de verdade deve avaliar a estrutura como um todo de um curso, sua infra-estrutura tanto das salas de aula quanto dos laboratórios, sua biblioteca e o acervo especifico de cada curso, a quantidade e a qualificação de seus professores. Deve também analisar os projetos pedagógicos, as grades curriculares, o que e como se produz nas áreas de pesquisa e extensão, a oferta e a qualidade de estágios curriculares e ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL para garantir a permanência dos estudantes, entre outras coisas.
POR UMA AVALIAÇÃO DE VERDADE
BOICOTE O ENADE!!! (antes que ele boicote você!)
Descubra como boicotar o ENADE!
1. Conferir na sua faculdade se você foi selecionado a realizar a prova;
2. Comparecer pontualmente ao local da prova no dia 9 de novembro;
3. Assinar a lista de presença;
4. ENTREGAR A PROVA EM BRANCO COM O ADESIVO DA CAMPANHA COLADO OU UM GRANDE ZERO DESENHADO!
A minha nota aparecerá no histórico escolar?
Não. Segundo a lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004, que institui o ENADE, constará no histórico escolar somente se o estudante foi selecionado e se compareceu à prova. Por isso é muito importante que todos compareçam à prova para zerá-la.
A minha nota será divulgada?
Não. Esta mesma lei diz que a nota será entregue individualmente a cada estudante que realizou a prova, sendo vedada qualquer identificação nominal do resultado obtido por cada um.
A faculdade irá entregar meu diploma se eu boicotar o ENADE?
Sim. É obrigação da faculdade entregar o diploma ao estudante que concluiu o curso devidamente, independentemente de sua nota no ENADE.
Boicotar é não legitimar uma prova que não diz respeito à qualidade de ensino. Assim, quem faz o ENADE tem sua formação prejudicada, pois ele não atesta a real avaliação que a comunidade universitária sempre exigiu.
Por Vinícius Oliveira (Coordenação Nacional da ENECOS) E "Chuck" (Militante da ENECOS-SERGIPE).
Por uma Educação e uma avaliação de verdade
Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, os estudantes de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) discutiram junto com alguns integrantes da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS) e o Coletivo do Mato ao Caos a possibilidade de boicotar o Exame Nacional do Desempenho do Ensino Superior (ENADE). Todos os calouros foram selecionados para a avaliação, 34 boicotaram, 1 não compareceu ao local e 3 fizeram a prova. Aproximadamente 10 veteranos boicotaram a prova por iniciativa própria.
O ENADE faz parte do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (SINAES) é regulamentado pela Portaria nº 107, de 22 de julho de 2004, sendo destinado a todos os cursos superiores do Brasil. O ENADE busca avaliar a qualidade do curso, mas na verdade só avalia o conhecimento dos estudantes, portanto não é uma avaliação legítima.
O boicote foi realizado da seguinte forma, os estudantes compareceram ao local de prova, assinaram o gabarito e colaram o adesivo - utilizado por vários estudantes no país inteiro. Com esta atitude, os estudantes seguiram a imposição do MEC e fizeram a prova, então não poderão ser impedidos ao final do curso de receber o diploma. A lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, criadora do ENADE, deixa claro que constará no histórico apenas se o estudante realizou ou não a prova, outro fator importante é a garantia da não divulgação da nota.
Vale salienta que não somos contra somente ao ENADE, ou seja, o mesmo em contexto isolado. Somos contra a Reforma Universitária (REUNI) de caráter privatista que está sendo feita no Brasil. O REUNI é um aglomerado de leis e medidas provisórias que transformam a Educação em um produto de negociação no meio privado. Para embasarmos nossa argumentação colocaremos abaixo a cartilha distribuída pelo Fórum Nacional de Executivas e Federações de Curso (FENEX) distribuída em 2009 e a Campanha “Avalie seu curso! Por uma educação pra valer” feita pela ENECOS em 2006. Depois ao final deste documento faremos diversas análises sobre a Universidade.
ENADE e a Reforma Universitária
A Educação Pública hoje explicita a necessidade de mudanças estruturais progressistas, novas concepções pedagógicas, filosóficas e políticas que estejam de acordo com a construção de uma sociedade livre de desigualdades, exclusão e opressões.
Vivemos no Brasil um processo de reformas com claro caráter neoliberal. Isso significa que as políticas que vêm sendo criadas no nosso país têm um caráter privatista, que retiram do Estado as suas responsabilidades. Através de políticas públicas, o Estado deveria garantir a todos o acesso a direitos básicos como educação, saúde, segurança, trabalho, moradia, assistência social etc . A privatização de leitos em hospitais públicos, as reações violentas à ocupações urbanas, fileiras enormes de desempregados que tem que se sujeitar a péssimas condições de trabalho; são apenas alguns exemplos do que vivemos hoje.
Na Educação Superior, a história não é diferente. O Reuni (Reforma Universitária) é um pacote de leis e medidas provisórias, que pretende retirar do Estado a responsabilidade de garantir a Educação acessível e de qualidade, transformando-a, portanto, em mero produto a ser negociado dentro do âmbito privado. A estratégia encontrada pelo Governo Federal pra que essa Reforma fosse aprovada foi desmembrá-la em vários projetos de lei, medidas provisórias e decretos-lei. Isso desarticulou os movimentos sociais da Educação (inclusive o movimento estudantil), que não têm um 'inimigo' único a combater. Mesmo assim, em diversas escolas os estudantes resistiram, ocupando mais de 15 reitorias em 2007.
O primeiro passo dessa Reforma Universitária foi a aprovação de um sistema de avaliação que fosse nacional, o SINAES – Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior. Entendemos que avaliações são necessárias, mas este Sistema nasceu dentro de uma lógica de Estado baseada no ranqueamento de Instituições e estudantes, premiações, punições e privatização das Universidades. O pior em tudo isso é a compreensão de que a Educação é uma mercadoria, que pode ser comprada e vendida ao invés de ser um instrumento para a compreensão da sociedade e suas estruturas sociais, para emancipar e tornar livre o ser humano.
Após a aprovação do Sinaes, continua Reforma Universitária. Como um dos pilares desses processos, surge o Projeto de Lei que regulamenta as PPP – Parcerias Público-Privadas, trazendo uma maléfica ligação entre esses setores aparentemente antagônicos. Também nesse contexto o governo e o senado federal apresentam a Lei de Inovações Tecnológicas, que alia as pesquisas realizadas nas nossas Universidades aos interesses privados de empresas e indústrias (por exemplo, um curso de Engenharia Química de uma Federal que desenvolva temperos diferentes pra salgadinhos da marca X, ou então cursos de Ciências Biomédicas que produzem fórmulas para indústrias farmacêuticas).
Outro projeto que compõe essa Reforma é o ProUni – Programa Universidade para Todos, que injeta verbas públicas nas escolas privadas com a justificativa de ocupação de vagas ociosas com bolsas para estudantes de baixa renda. A assistência estudantil, composta por uma série de medidas como moradias estudantis, bibliotecas, bolsas alimentação, assistência para xerox, transporte não estão inclusas na bolsa do estudante. Assim, não é garantida a permanência desses estudantes na Universidade. O índice de evasão dos alunos prounistas é muito alto.
Além dos aspectos já expostos, o Prouni significa verba pública para a iniciativa privada. De acordo com estudos feitos pelo ANDES-SN Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, somando-se o investimento federal feito na "compra" dessas vagas ociosas, mais o valor da isenção fiscal que essas Universidades recebem, a relação de vagas criadas é: três vagas em Universidades públicas contra uma vaga na Universidade particular.
A última proposição do Governo acerca da Reforma foi o Decreto-Lei 6.096/07, o REUNI – Programa de Apoio Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. O REUNI condiciona a concessão de verba pública destinada à expansão das Instituições a algumas metas que devem ser atingidas, como o aumento da relação estudante/professor para 18/1 e a graduação de 90% dos estudantes ingressantes podem parecer ótimos balizadores para a atuação das Universidades. Porém, dentro da realidade concreta de sucateamento da Educação que vivenciamos, tornam-se prerrogativas para um inchaço que vem, como percebemos cotidianamente, trazendo inúmeros problemas.
Entender que o ENADE faz parte de um sistema muito maior de desmonte da Educação Superior é importante para não vermos o Exame de forma pontual, descontextualizada. Lutar contra essa Reforma Universitária é importante para que possamos reverter a lógica de privatização e de mercantilização da Educação.
SINAES e sua história
Para que entendamos melhor o movimento histórico que deu origem ao SINAES, vamos acompanhar um pouco outros sistemas de avaliação implantados antes dele.
A primeira forma de avaliação das Universidades brasileiras foi organizada durante o Governo Itamar Franco (19921994), com o PAIUB – Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras. Construído em parceria com várias entidades ligadas à comunidade acadêmica (como Fóruns de Reitores, Pró-Reitores, Professores e pesquisadores especialistas em avaliação institucional), o PAIUB tinha como premissas a avaliação interna, externa e a reavaliação, contando com a adesão voluntária das Instituições de Ensino.
Com a posse de Paulo Renato no Ministério da Educação, na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002), o PAIUB, que tinha alguns problemas metodológicos – como a flexibilização para a escolha dos métodos a serem utilizados no processo de avaliação interna – foi superado pela posição neoliberal deste Governo Federal. A premissa de uma avaliação transformadora foi abandonada. Ela agora se sustenta pela concorrência, capaz de conferir competência às instituições de Ensino Superior.
É nessa lógica que nasce o ENC – Exame Nacional de Cursos, chamado também de Provão. O exame era aplicado aos estudantes concluintes do curso, avaliados com resultados de A a E. Os cursos mal avaliados recebiam retaliações, o que demonstra claramente a noção punitiva que era conferida ao Provão. Os movimentos sociais da Educação denunciavam a estruturação do exame, que dava conta apenas do produto da formação acadêmica, pouco se importando com o processo em que ela se deu. Esses movimentos contestatórios (especialmente o movimento estudantil) reagiram fortemente, organizando discussões e Boicotes ao Provão nas entidades e grupos de estudantes.
Junto ao Provão, foi criada a ACO – Avaliação das Condições de Oferta, que pretendia analisar a organização didático-pedagógica, o corpo docente e as instalações e, na prática, veio complementar o ranqueamento iniciado pelo Provão. Ou seja: a mesma tática de estimular a competitividade e de forte apelo midiático. Além disso, a ACO repete do Provão o desrespeito às especificidades regionais e à autonomia universitária, ao impor um modelo único de avaliação para o país inteiro.
A partir da primeira Gestão Lula (2003-2006), o então Ministro da Educação, Cristóvam Buarque, convoca uma comissão de especialistas para elaborar um projeto novo de avaliação institucional para o Ensino Superior. Então, nasce o SINAES – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, que persiste no segundo mandato de Lula (2007-2009) e existe até hoje.
Como funciona o SINAES
O SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, assim como toda avaliação, traz uma concepção de organização social e, sendo uma avaliação da Educação Superior, traz uma idéia de Universidade. Essa concepção é revestida pelas políticas neoliberais que sustentam a mercantilização da educação, contraditória à posição de uma Universidade capaz de questionar a si mesma, aos sistemas sociais e de superar suas contradições. Mas como a gente consegue observar isso? Entendendo como funciona esse processo avaliativo e por que ele é feito.
CONAES (Comissão Nacional de Avaliação da Educação)
Essa avaliação busca sustentar o discurso numa participação coletiva do processo. Para isso, institui-se uma Comissão Nacional de Avaliação da Educação (CONAES) composta por representantes dos órgãos governamentais, especialistas “iluminados” das áreas de conhecimento e tem garantida a presença de um representante discente, docente e técnico-administrativo (Lei No 10.861, Art.7º). Mas, você sabe quem é seu representante, enquanto estudante? Sabe quem o elegeu? Todos esses representantes são nomeados pelo Presidente da Republica, demarcando a contradição da participação democrática na construção do processo avaliativo.
Essa comissão tem plenos poderes decisórios sobre as questões burocráticas, pedagógicas e metodológicas da avaliação do ensino superior, sendo, portanto, responsável pela instituição e aplicação dos instrumentos avaliativos do SINAES. O processo avaliativo proposto pelo SINAES se sustenta num tripé:

1. Avaliação das instituições
Esta avaliação é subdividida em duas etapas:
a)Auto-avaliação:
É um avanço pedagógico buscar uma avaliação interna que busque compreender o processo de ensino aprendizagem direto na base. Porém essa auto-avaliação não é feita com autonomia, pois segue critérios arbitrários estabelecidos pela CONAES. Uma Comissão Própria de Avaliação deve ser formada (Portaria 2.051, Art 10o) para seguir os procedimentos estabelecidos pela CONAES. Nenhuma diretriz para esses procedimentos aparecem na lei e nas portarias. Basicamente, seu trabalho é construir um instrumento de avaliação e auto avaliá-lo.
b)Avaliação externa in loco:
Comissões Externas de Avaliação Institucional são designadas pelo INEP (Portaria no2.051, Art.13o) para fazer essa avaliação, após a auto-avaliação. Não é possível compreender os critérios avaliados, havendo uma total autonomia dessas comissões e a inexistência de orientação metodológica para as avaliações.
2. Avaliação dos cursos de graduação
Essa etapa tem como objetivo identificar as condições de ensino, relativas à organização didático-pedagógica, corpo social e instalações físicas, verificar a articulação entre Plano de desenvolvimento Institucional - PDI, Projeto Pedagógico de Curso - PPC, currículo, vocação institucional e inserção regional e analisar a aderência às Diretrizes Curriculares Nacionais -DCNs. É realizada por Comissões Externas de Avaliação de Cursos – Comissão de Avaliadores da BASis, formadas por especialistas designados e treinados pelo INEP. As únicas informações a que realmente podemos ter acesso é a data da visita e composição dessa comissão, além do cronograma de atividades dessa comissão, pois todas essas informações devem ser repassadas para os coordenadores de curso.
3. Avaliação dos Estudantes
O ENADE – Avaliação Nacional do Desempenho dos Estudantes, é uma prova de fase única, nacional e ineficaz enquanto instrumento avaliativo. Ela busca avaliar formação geral, competências profissionais e habilidades acadêmicas dos estudantes. A prova tem duração de 4 horas, constando 10 questões (8 múltipla escolha e 2 discursivas) de Formação Geral e 30 questões (27 múltipla escolha e 3 discursivas) específicas do curso avaliado.
Como é construído o conceito?
Os conceitos do ENADE variam de 1 a 5, sendo obtidos a partir de um cálculo estatístico e padronização da nota geral dos estudantes de um determinado curso, instituição e município. São também utilizadas para o cálculo as médias dos resultados dos estudantes ingressantes e concluintes. O curso ficará sem conceito se apenas um estudante ingressante e/ou um estudante concluinte realizar a prova, pois feriria com a impossibilidade de divulgar notas individuais.
Caso não haja nenhuma prova feita, o curso é excluído da divulgação. Os critérios de participação das notas nos conceitos de cursos e instituições ainda não foram divulgados.
SINAES por ele mesmo
Gostaríamos de demarcar nossa concepção de que qualquer avaliação é política. Em que sentido? Acreditamos que elas nunca são neutras, que reproduzem uma visão de mundo e trazem concepções claras sobre a Educação e sobre a sociedade, sempre existindo um para quê e um para quem. Avaliações não apresentam simplesmente aspectos neutros, técnicos e metodológicos.
No sistema capitalista, a Educação é importante, mas não pelo seu caráter emancipador, libertador e transformador, mas por representar possibilidades de ascensão social, ganhos individuais e capitalização de recursos. Nessa lógica, as instituições de Educação devem produzir conhecimentos úteis e rentáveis como condição para sua sobrevivência no mercado educacional.
A avaliação, dentro dessa compreensão de Educação, se serve como medida e controle do que se espera desse processo na lógica neoliberal em que a Educação está calcada. No nosso sistema, o SINAES se serve como uma espécie de 'Inmetro das Universidades' e o estudante assume um papel de cliente, consumidor de um produto, orientado pela relação custo/benefício que as Instituições oferecem.
Entendemos as avaliações como partes de grande importância do processo de formação. A análise diagnóstica deve se pautar pelo projeto político-pedagógico, por condições estruturais de Ensino, Pesquisa e Extensão, pela relação ensino-aprendizagem, pelos quadros de docentes, técnicos administrativos, diretrizes curriculares, ênfases de curso, e especialmente por avaliar se os estudantes têm a possibilidade de construir um projeto de sociedade que supere o sistema em que vivemos. Entretanto, o SINAES não se pretende avaliar dessa forma o Ensino Superior.
Esse Sistema de Avaliação aprofunda aspectos que historicamente foram rechaçados pelo movimento estudantil e pelos movimentos sociais da Educação, como:
1. Ranqueamento
No SINAES, o desempenho dos estudantes no ENADE é expresso por conceitos “ordenados numa escala com cinco níveis”, assim como o desempenho das Instituições e cursos. Assim, os resultados do ENADE são utilizados como propaganda para o mercado (quem nunca viu um informe comercial de 'Venha estudar conosco. Tiramos nota máxima no ENADE'?). Isso demonstra uma concepção produtivista do ensino em detrimento do seu papel social. É certo para todos nós que uma nota de 1 a 5 não resolve em nada a situação das nossas Universidades. É como um médico dizer pra um paciente que ele está com a saúde nota '1', mas não especifica qual é a doença nem as formas de curá-la. Sabemos que o financiamento às Instituições de Ensino é bastante orientado pelo resultado do ENADE. No entanto, as Universidades bem avaliadas recebem mais incentivos do que as que não foram tão bem. É como um médico que dá remédios a uma pessoa saudável e não à que está morrendo com alguma doença grave.
O que tem acontecido bastante é o estímulo das Instituições de Ensino aos estudantes, para que estes desempenhem as melhores atuações possíveis no ENADE. Esse estímulo vem desde entusiasmadas ou ameaçadoras falas nas salas de aula, até churrascos, sorteios de IPods e premiações desse tipo e principalmente da formação em cursinhos preparatórios para o ENADE, o que denota ainda mais a fragilidade desse método avaliativo.
2. Caráter não só obrigatório, como punitivo
Como dissemos antes, o SINAES penaliza os cursos mal-avaliados e que não conseguem se recuperar de acordo com o Protocolo de Compromisso (um termo de responsabilidade assinado pela Instituição que garante que ela vai dar um jeito nos problemas que apresentou). O que pega mal é que o Estado não diz de forma alguma como a superação dos problemas deve se dar, como se não tivesse responsabilidade alguma com isso. Ele assume, portanto, um papel de observador-regulador e não de garantia de formas para que a Educação se desenvolva no nosso país.
Além de tudo isso, a realização do Exame é componente curricular obrigatório para o estudante. Dessa maneira, o estudante convocado deve estar presente na prova (boicotando-a, de preferência, hehe), caso contrário seu histórico escolar estará irregular.
3. Centralização e desrespeito às características regionais
Mesmo que orientado pela Lei de Diretrizes e Bases, que organiza de forma geral o ensino dos cursos de graduação, a prova do ENADE é única para todos os estudantes do Brasil inteiro. Desse modo, desconsidera as particularidades sociais, políticas, econômicas e culturais entre as diversas regiões brasileiras. Entendemos que o ensino dos diferentes cursos se dá de forma diferente e que a pluralidade e diversidade devem ser, além de respeitados, valorizados. Defendemos a construção de uma ciência atenta às necessidades específicas da classe trabalhadora, mas que respeite as singularidades de cada local.
4. Premiação dos melhores colocados
O SINAES premia os estudantes que tiverem os melhores desempenhos no ENADE com bolsas de estudo (Lei 10.861, Art. 5, §8º e 10º). Além de avaliar individualmente cada estudante, reforça e acirra a competitividade entre estes e enfraquece propositalmente os movimentos contra-hegemônicos de Boicote, pois assim o candidato teria de escolher entre se posicionar politicamente contra o Exame ou concorrer a migalhas do Governo (processo que fere a Constituição, que garante a isonomia entre os sujeitos – ou seja, a igualdade de direitos).
Qualidade, democracia e diversidade. Expressões que deveriam constar nos projetos de defesa das Universidades aparecem no SINAES como fragmentos aleatórios “Respeito à diversidade” que não respeita a regionalidade, padronizando um exame único e nacional. “Promoção de valores democráticos” que cerceiam a autonomia universitária e dos movimentos sociais da Educação, com a composição do CONAES indicada pelo Presidente da República e não pelo próprio movimento de base. “Qualidade de Educação” submetida à lógica do “só os melhores sobrevivem” e orientada pela demanda de mercado: a melhor educação técnica possível.
O Boicote
O próximo ENADE será realizado no dia 08 de novembro de 2009.
Nesta data, nós, estudantes, temos a oportunidade histórica de mostrar à sociedade brasileira e ao Governo Federal que não ficaremos de braços cruzados frente à transformação de nossas Universidades em fábricas de diplomas.
Convocamos, então, todos os estudantes que foram solicitados a realizar o Exame a boicotar a prova, como forma de denúncia e luta contra a privatização e a desqualificação da Universidade Brasileira.
Mas o que é o boicote?
O boicote é um ato político que não legitima uma prova que não se refere à qualidade de ensino. Assim, o raciocínio correto é o inverso: quem faz o ENADE tem sua formação negligenciada, pois ele não atesta a real avaliação que a comunidade universitária exige.
Contrário ao que por vezes se acredita, o boicote ao ENADE não significa não comparecer à prova, mas sim comparecer à prova pontualmente, assinar a lista de presença, não fazer a prova e entregá-la em branco, de preferência com o adesivo do boicote ou uma grande nota zero desenhada. Quem comparece à prova mas não a faz não é punido e ainda tem explicitada sua posição contrária a uma avaliação limítrofe.
O que acontece com quem boicota?
Somente os estudantes que não comparecerem à prova – sem justificativa – são classificados como em situação irregular. Mas por quê? Conforme a Portaria nº 2.051, o ENADE é componente curricular obrigatório dos cursos de graduação. O registro e a participação do estudante (selecionado ou dispensado da prova) são indispensáveis para a emissão de seu histórico escolar.
Portanto, é falsa a notícia de que quem boicota a prova tem seu diploma retido, ou tem sua nota divulgada no mesmo ou qualquer outra forma de punição. Os estudantes de Universidades Pagas não perdem suas eventuais bolsas PROUNI nem o FIES. Entretanto, de alguns anos pra cá, visando acabar com o boicote ou outra organização contra o ENADE, o Governo Federal coloca em prática algumas medidas punitivas e repressivas, como cortar o FIES ou bolsas do PROUNI da próxima turma a ingressar na Universidade, do curso específico a ser punido. Quem estuda em um curso ainda não reconhecido pelo MEC pode trazer problemas à sua Universidade, boicotando o ENADE. O curso pode não ser reconhecido se não tiver nota.
Na divulgação dos resultados da avaliação é vedada a identificação nominal do resultado individual obtido pelo estudante examinado, que será a ele exclusivamente fornecido em documento específico, emitido pelo INEP (artigo 5º, inciso 9º da lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004)
Mas e nas Universidades Pagas, qual a conseqüência do boicote?!
O ENADE, bem como toda a estrutura do SINAES, mostra-se como um meio de submeter as Instituições de Ensino Superior a um projeto que transforma a educação em mercadoria, esfacelando o princípio da Universidade pública, gratuita e de qualidade como um direito a todo e qualquer cidadão. E de que forma isto acontece? O Estado investe dinheiro público nas Universidades privadas, isentando essas Instituições de impostos, através da concessão de bolsas a estudantes que não têm condições de pagar seu estudo, em vez de garantir acesso a estes estudantes na Universidade pública (que lhe é, afinal, de direito). Como se não bastasse, juntamente com a indústria da Educação, faz um verdadeiro terror psicológico a estes estudantes que, fragilizados, muitas vezes se vêem na impossibilidade de exercer sua posição política (através do boicote ao ENADE) frente a mais uma mostra de sucateamento do Ensino Superior brasileiro. Essa grave perturbação moral e política ocorre, principalmente, com cortes do FIES (financiamento arrecadado de nossos impostos) ao setor privado e o ranqueamento e ridicularização das Universidades de nosso país, como se a qualidade e condição destas nada tivesse a ver com o Estado.
Esta realidade de destruição da Educação Superior brasileira de que nós estudantes compartilhamos, deve nos impulsionar à luta pela Universidade pública, gratuita e de qualidade para todos e todas. Precisamos manter nossos debates, construir críticas qualificadas e fazer valer uma luta que é conjunta – dos estudantes da Universidade pública e privada.
*Cartilha feita pelo Fórum Nacional de Executivas e Federações de Curso (FENEX) baseadas nas contribuições da Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia (CONEP) e da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS)
Campanha “Avalie seu curso! Por uma educação pra valer”
- Ontem não tive aula porque não havia câmeras de vídeo no laboratório, que está até com goteiras!
- Nossa! Eu não tive essa aula no semestre passado por conta disso! E esse semestre já começamos mal: ainda nem tem professor pra disciplina e nem se sonha em contratar novos professores!
- Poxa... e eu que estou começando o currículo novo do curso... Mas já vi que pouco vou anda pelas bandas das Humanas...
- É... ouvi dizer que não tem quase nada de matérias tipo sociologia, filosofia... Ou, mas tem pelo menos atividade de extensão, né?
- Tem o quê?
- Isso, extensão. Você nunca ouviu falar de pesquisa, extensão?
- Não, não. Deve ser porque sou novo, né?
- Sei não... Mas diga lá! Você é de onde?
- Sou do interior do estado. Mas tá difícil morar aqui viu... não tem moradia estudantil e o bandejão aumentou o preço!
- Putz, é verdade! Bem que poderíamos fazer uma matéria documentando isso e veicular na TV universitária... se bem que...
- O quê?
- A TV Universitária só faz propaganda da reitoria...
- Nossa. Será que é só na nossa universidade que tem tanto problema assim???!!!
Não, não. Vários curso de Comunicação pelo Brasil afora partilham desses mesmos problemas. E isso não é por acaso. A Educação Superior no nosso país vem sofrendo um processo de sucateamento nos últimos anos, o que se concretizou com a chamada Reforma Universitária do governo Lula.
É justamente por causa desse contexto que a ENECOS chega, mais uma vez, às escolas de Comunicação e propõe um momento de reflexão e de mobilização. Além de pararmos pra pensar sobre essas mudanças, é fundamental observarmos como elas estão acontecendo dentro dos nossos próprios cursos. E mais: se acharmos que o curso não anda bem das pernas, o que podemos fazer para transformá-los?
Partindo do princípio de que é preciso avaliar para descobrir os problemas e, daí, propor soluções, é que essa cartilha traz alguns elementos que consideramos fundamentais para um curso de Comunicação de qualidade. Veja se você concorda com eles e avalie sua escola a partir de cada ponto apresentado! É partindo dessa análise que começaremos transformar os cursos de comunicação do Brasil! E você não pode deixar de participar disso, né?!
Entre nessa campanha: “Avalie seu curso. Por uma educação Pra Valer!”
Papel da Formação em Comunicação
Pra começo de conversa, é bom falar um pouco sobre a nossa área de conhecimento: a Comunicação. Mesmo sob linguagens diferentes, como o jornalismo, a publicidade, as relações públicas, o cinema, o rádio e a TV, todos escolhemos uma mesma área de atuação e um mesmo campo de conhecimento ao entrarmos na universidade/faculdade.
E sendo estudantes de comunicação, sabemos muito bem da influência que ela tem na nossa vida, seja na política, na cultura, no comportamento das pessoas, na economia, na mobilização ou na desmobilização social.
Tendo toda essa importância e influência, a comunicação não pode ser tratada de qualquer maneira pelas universidades e faculdade. Não pode ser encarada apenas como uma técnica a ser apreendida e nem os cursos devem oferecer um mero “adestramento” de estudantes para a grande mídia.
Nossos cursos devem prezar por uma formação humana e crítica, de modo que se tenha uma visão ampla da realidade, compreendendo os aspectos políticos, culturais, sociais que nos cercam. E mais: que se consiga perceber a influência na comunicação em todos esses aspectos!
Além disso, a formação em comunicação precisa incentivar a produção de conhecimento, voltada para as necessidades da sociedade. Precisamos experimentar, usar nossa criatividade para pensar novos modos de trabalhar a comunicação, que não apenas o “modelão” a que estamos tão acostumados.
Portanto, o papel da formação em comunicação é, acima de tudo, colaborar numa visão crítica da mídia e incentivar a mudança na sua estrutura, seja pela produção, pesquisa, extensão em comunicação, seja atuando junto às comunidades e movimentos populares, auxiliando na produção dessa ferramenta tão poderosa. E ainda ampliar os horizontes dos estudantes para a luta pela transformação social, que deve repassar pela transformação da Comunicação!
(continua)
Prova viva da mercantização do ensino
Depois de feita a leitura das duas cartilhas que colocamos acima nosso leitor tem uma noção teórica de como está se dando a privatização do ensino e como ele é tratado, mera mercadoria. Para provarmos a teoria colocaremos abaixo um e-mail enviado pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) aos seus alunos do último período alguns dias antes da prova do ENADE.
To: (não divulgaremos)
From: iesb@activemailpro.com.br
Subject: [ IESB ] ENADE - COMUNICADO IMPORTANTE PARA ESTUDANTES CONCLUINTES
Date: Fri, 6 Nov 2009 17:12:04 -0200
ENADE - COMUNICADO IMPORTANTE PARA ESTUDANTES CONCLUINTES
Prezado aluno concluinte do IESB que irá prestar o ENADE:
Acolhendo sugestão do nosso Conselho Consultivo formulada em reunião realizada nesta data, a Diretoria do IESB decidiu instituir um bônus de desempenho para seus estudantes concluintes que estarão participando do ENADE no próximo domingo.
Esse bônus será individualizado por aluno, e dependerá do seu resultado no exame e da nota obtida pelo seu curso.
Consistirá de uma importância em reais proporcional ao valor integral de uma mensalidade vigente no curso em novembro de 2009. O bônus será pago após a divulgação dos resultados do ENADE, conforme tabela que se segue.
Tabela do Bônus de Desempenho
em Porcentagem do Valor de uma Mensalidade,
conforme a Nota do Curso e do Estudante
| Nota do estudante | Nota do curso | ||
| 3 | 4 | 5 | |
| 1 | 0 | 0 | 0 |
| 2 | 0 | 0 | 0 |
| 3 | 10% | 10% | 10% |
| 4 | 20% | 40% | 40% |
| 5 | 40% | 60% | 100% |
Além disso, o aluno que obtiver a nota 5 receberá certificado de mérito acadêmico do IESB.
Aproveitamos o ensejo para desejar a todos um bom exame, e reafirmar a confiança do IESB no desempenho de seus alunos.
Brasília, 6 de novembro de 2009
A Diretoria
É ridículo, mas várias Universidades fizeram isso no Brasil inteiro. Em Campo Grande algumas particulares ofereceram cursinho para os alunos. Isso é uma avaliação de verdade ou é um comercio?
Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) o REUNI ampliou algumas vagas e abriu novos cursos, porém nada foi construído. O que vemos ser construído na nossa Universidade são bancos, o último foi o Banco do Brasil. Contamos com a Caixa Econômica Federal, HSBC, SICRED e Banco do Brasil. O Restaurante Universitário é um dos mais caros do país, custa R$7,00. Para você tirar a carteirinha você precisa pagar R$5,00 e se você quiser tirar o comprovante de matricula são mais R$4,50. Ah! Se você perder a carteirinha da biblioteca e for tirar a segunda via o preço sobe para R$7,00. Várias outras taxas são cobradas pela Universidade, o Ministério Público Federal (MPF) já tentou interferir, mas essa bandidagem continua acontecendo. Os fatos apresentados acima são provas vivas da privatização do ensino que está sendo feita no país inteiro. Estudantes, precisamos nos unir imediatamente!
Nada representa melhor a UFMS que essa logo:

Descaso com o dinheiro público
(Escrever)



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